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Seria mais seguro se todos andassem armados
Por Tadeu Viapiana*
"Em vez de
proibirmos as armas, deveríamos ensinar todos a usá-las
corretamente"
Por que um jovem maior de 18
anos tem o direito de casar, criar uma empresa e votar para
presidente, mas não de usar uma arma para se defender? O que é mais
eficaz: proibir o jovem de portar uma arma ou ensinar-lhe a usá-la
adequadamente?
Sou francamente adepto da segunda
alternativa, aliás, já adotada em vários países que possuem muito
menos crimes que nós. É preciso inverter a lógica perversa de que os
honestos devem ser desarmados, enquanto há tanto bandido
municiado.
As estatísticas mostram que
restrições à venda de armas para civis não reduzem a criminalidade.
As leis ou proibições acabam valendo apenas para os cidadãos
honestos,ou seja, as vítimas. À inépcia das leis de desarmamento
soma-se a impotência da polícia para deter criminosos e o caos no
sistema carcerário. "A polícia não consegue prevenir o crime", diz o
criminologista David Bayley. Quando presos, os bandidos são
encarcerados em verdadeiras fábricas de marginais. A Justiça é lenta
e morosa: pune pouco e, quando pune, raramente o bandido cumpre toda
a sentença. Como então podemos imaginar que os cidadãos entreguem
sua segurança exclusivamente ao Estado?
Devemos mudar radicalmente o enfoque do desarmamento civil. O
cidadão honesto deve ter o direito de portar uma arma de fogo não só
por legítima defesa, mas porque, armado, ele eleva o risco para os
bandidos, criando um efeito positivo inclusive para quem não possui
armas. Os delitos diminuem apenas quando os bandidos percebem que os
riscos são altos, devido à repressão e à certeza de punição. Isso
explica por que, nos estados americanos onde as armas são liberadas,
os assaltos a residências diminuíram, enquanto na Inglaterra, onde
as armas são proibidas, aumentaram.
As
armas de fogo carregam um forte simbolismo de morte porque na mídia
aparecem sempre associadas a crimes e tragédias. Raramente lemos
sobre crimes que foram evitados por cidadãos armados. O aspecto
ofensivo prepondera sobre o defensivo no noticiário. No entanto,
quando pensamos em políticas de segurança pública, a razão deve
substituir a emoção e os mitos. E há muitos mitos propagados por aí.
Vejamos os mais citados na mídia:
a) a maioria dos
homicídios ocorre entre cidadãos de bem e por "motivos fúteis". Mas
saiba que, conforme pesquisa apresentada em 2003 por Bruno Manso com
base em 876 inquéritos, 76% dos homicídios foram "planejados" e
"premeditados" e envolvem "acerto de contas entre
bandidos";
b) as
pessoas armadas têm mais chance de serem mortas, se forem
assaltadas. Essa noção, que surgiu de um estudo com apenas 444 casos
de latrocínio, não leva em conta os assaltos que foram evitados por
vítimas armadas; c) finalmente, diz-se que ocorrem, por ano, 14 mil
mortes por acidentes com armas de fogo. De onde surgiu essa
informação ninguém sabe. O que sabemos é que nos Estados Unidos,
onde existem muito mais armas que aqui (230 milhões contra 5
milhões), ocorrem mais acidentes fatais com queimaduras, bicicletas,
atropelamentos e afogamentos do que com armas de fogo. É claro que
acidentes ocorrem no Brasil, mas uma lei de controle de armas irá
evitá-los? Não. O que evita acidentes é obrigar os proprietários a
guardar a arma em lugar seguro e punir os relapsos.
Em vez de restringir o acesso às
armas, o Estado deve estimular os cidadãos a aprender a manejá-las
corretamente. Em vez de proibir, ensinar o uso adequado e
responsável. Assim, o cidadão será um parceiro do Estado na geração
de uma comunidade mais segura.
Para trilhar esse caminho, precisamos
superar outro preconceito: o temor de que, se os jovens brasileiros
maiores de 18 anos tiverem acesso às armas de fogo, teremos uma
carnificina. A maior incidência de homicídios entre jovens não
ocorre porque eles possuem mais armas e sim porque estão mais
envolvidos com drogas e crimes originados pelo tráfico. Cabe aqui a
pergunta: quantas vidas poderiam ser poupadas se os jovens tivessem
o direito de possuir uma arma e, claro, soubessem usá-la para se
defender?
Na
minha opinião, devem existir única e exclusivamente quatro condições
para o acesso às armas:
1) ser maior de
18 anos,
2) não ter
antecedentes criminais,
3) passar
por exame de sanidade mental
4)
realizar o curso teórico e prático. Para criar um ambiente de maior
segurança, o porte deve valer para todos os locais
públicos, exceto
onde houver segurança própria e eficiente. Nos demais, o cidadão
deve ter o direito de auto-proteção.
*Economista,
consultor da Forjas Taurus, de Porto Alegre, e autor dos
livros
Brasil Acossado
pelo Crime e Democídio, Democracia e Criminalidade no
Brasil. E-mail:
tadeu@centro.com.br

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